Catequese (III)

Onde é que eu já vi isto?
Um grande abraço. Preparem-se, amanhã com o ultimo texto será revelado o nosso autor…
«Mas, na realidade, custa muito continuar a falar até ao fim que tínhamos previsto quando vemos que o ouvinte não se comove, seja porque, vencido pelo temor pela religião, não se atreve a manifestar a sua aprovação com palavras ou com gestos quaisquer do corpo, ou porque se sente reprimido por um respeito humano, ou porque não entende o que lhe dissemos, ou porque o despreza.
Assim, pois, quando o seu estado de ânimo permanece obscuro aos nossos olhos, devemos intentar com palavras tudo quanto possa servi-lo para o despertar, como se fosse para o tirar do seu esconderijo. Inclusive o excessivo temor que o impede de expressar a sua própria opinião deve ser suprimido por uma exortação carinhosa, e insinuando-lhe a participação fraterna devemos desterrar a sua vergonha perguntando-lhe se compreende, e deve-se inspirar-lhe plena confiança, afim de que expresse livremente o que tenha a expor.
Com frequência sucede também que ao principio escutava com agrado, mas logo, cansado de escutar ou de estar tanto tempo de pé, abra os lábios não para louvar as nossas palavras, senão para bocejar, e inclusive nos diga que, para muito pesar seu, deve ir-se embora. Quando nos dermos conta disso, convém despertar a sua atenção dizendo-lhe algo adornado com uma sã alegria e adaptado ao argumento que estamos a expor, ou também algo realmente maravilhoso e deslumbrante, ou algo que suscite a sua comiseração e as suas lágrimas. Ou melhor ainda, exponhamos algo que lhe toque directamente a ele, de modo que, tocando no seu próprio interesse, preste atenção, mas que não se ofenda no seu pudor com alguma indelicadeza, senão que se veja conquistado pela sua familiaridade.
Também o podemos ajudar, oferecendo-lhe um assento, ainda que seja melhor sem dúvida alguma, onde isto seja possível, que já desde o princípio escute sentado. Sem embargo é muito importante saber se aquele que sai da assembleia se retira – a maioria das vezes não pode fazer por menos, para não cair vitima de um mal estar físico – é alguém que deve receber pela primeira vez os sacramentos: por vergonha não diz porque se vai, e por debilidade não pode permanecer de pé. Digo-te isto por experiencia, pois assim me sucedeu com um agricultor, enquanto o instruía. E a partir daí aprendi a estar muito atento a esse ponto. Pois quem pode suportar a nossa arrogância, quando não fazemos sentar à nossa volta os que são nossos irmãos ou, onde havemos de ter ainda mais cuidado, os que deverão ser nossos irmãos?
Se não conhecemos as causas do porquê de não querer escutar-nos, encerrado no seu silêncio, digamos-lhe, depois de se ter sentado, algo alegre ou triste sobre as preocupações dos negócios do mundo, com o fim de que, se são essas preocupações que lhe invadiram a mente, que desapareçam ao se verem desmascaradas. Mas se não são essas as causas e se sente cansado do discurso, falando delas como se fossem a verdadeira causa, pois certamente as ignoramos, exponhamos algo realmente inesperado e como que fora do previsto, e a atenção se verá livre do cansaço. Mas que tudo isto seja breve, sobretudo porque vem fora do programa, para evitar que a medicina não termine por aumentar a causa do fastio que pretendemos curar. »

(…)

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Sobre economiadasalvacao

Missionário Redentorista, a viver em V.N.Gaia ruipedro.cssr@hotmail.com
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