O Acontecimento do Êxodo

Olá! Seguindo o meu companheiro Gustavo, partilho aqui um texto que serviu de formação no último encontro dos Jovens Redentoristas, em Gaia. O título é «O Rosto do Deus do Antigo Testamento» e é uma procura deste Rosto através de 5 experiencias fundamentais que partilharei aqui nos próximos dias:
  • O Acontecimento do Êxodo
  • A experiencia da Aliança
  • O Deus da Aliança, da Graça, das Misericórdias
  • A Eleição e Missão
  • O Monoteísmo, uma só História de Salvação

E aproveito também para anunciar o Nascimento de um novo blog de um dos grupos de Jovens Redentoristas, de S.Ovidio aqui em Gaia: http://jr-stovidio.blogspot.com/ Boa caminhada!

No princípio da história deste Povo chamado Israel está uma experiencia marcante de novidade, de surpresa, de admiração: há um Deus, há uma divindade que quer iniciar, com um povo de escravos no Egipto, um caminho de Libertação, de Aliança, de Passagem para uma terra que lhes é dada, a Terra Prometida. Um Deus que faz história com o Povo, uma história de Aliança e de Caminho rumo a uma Terra Prometida. Este é o tom, a linguagem que vai percorrer todo o Antigo Testamento: a Gratidão por um Deus que é Graça. «Qual a grande nação cujos deuses lhe estejam tão próximos como o Senhor nosso Deus, todas as vezes que o invocamos?» (Dt 4,7).
Toda esta História começa no Egipto, por volta de 1200 anos antes de Jesus. Um conjunto de grupos e etnias, designadas como “os hebreus” (Gen 43,32), que tinham imigrado para o Egipto das regiões do Médio Oriente e que ocupavam funções inferiores e desprezadas pelos egípcios (pastores, mão-de-obra na construção), iniciam um movimento de migração/libertação. Reúnem-se segundo os laços étnicos mais ou menos próximos e iniciam uma emigração rumo à Palestina, num movimento que terá durado décadas. Neste movimento de emigração ter-se-á destacado um líder chamado Moisés.
Naquele tempo com a sua mentalidade, qualquer acontecimento histórico era lido à luz religiosa. Cada povo, cada grupo tinha as suas divindades e as suas tradições religiosas e, depois, cada divindade protegia o seu povo e o seu grupo. Era assim com os egípcios, os hebreus e todos os povos da altura. Então, este processo de saída/migração do Egipto para a Palestina será lido e compreendido, nessa altura e ao longo de todo o Antigo Testamento, como a acção de um Deus, Javé (“Eu Sou”, nome que revela a Moisés em Ex 3,14) que, através de Moisés, conduz o Povo na saída do Egipto rumo à Palestina. Então esta experiencia, lida à luz religiosa, terá significados mais profundos: a migração torna-se Saída (Êxodo, em grego) ou Passagem (Páscoa, em hebraico); a Palestina torna-se a Terra Prometida, prometida por Deus ao seu Povo, terra de paz e prosperidade, «boa e vasta, terra onde mana leite e mel» (Ex 3,8); o Egipto é terra de escravatura, de opressão e de instalação (Num 11,5); o território entre o Egipto e a Palestina é o Deserto, experiencia de caminho e de purificação.
É muito importante o resumo que os judeus farão, mais tarde, da sua história, narrando-a como acção de Deus a seu favor: «Meu pai era um arameu (povo que emigrara para o Egipto, de quem descendem os hebreus) errante: desceu ao Egipto com um pequeno número e ali viveu como estrangeiro, mas depois tornou-se um povo forte e numeroso. Então os egípcios maltrataram-nos, oprimindo-nos e impondo-nos dura escravidão. Clamámos ao Senhor, Deus de nossos pais, e o Senhor ouviu o nosso clamor, viu a nossa humilhação, os nossos trabalhos e a nossa angústia, e tirou-nos do Egipto, com sua mão forte e seu braço estendido, com grandes milagres, sinais e prodígios. Introduziu-nos nesta região e deu-nos esta terra, terra onde corre leite e mel.» (Dt 26,5-9).

É aqui que começa Israel como Povo; mas qual a novidade ou a importância que nos traz na Revelação de Deus? Como sabemos, a Revelação, ou a história da descoberta do Rosto de Deus, não acontece por um telefonema do céu; é a partir de experiencias históricas e concretas que se lê e descobre, progressivamente, o Rosto e a Presença de Deus. No texto da vocação de Moisés podemos vê-lo claramente:
«Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob.» Moisés escondeu o seu rosto, porque tinha medo de olhar para Deus. O Senhor disse: «Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egipto, e ouvi o seu clamor diante dos seus inspectores; conheço, na verdade, os seus sofrimentos. Desci a fim de o libertar da mão dos egípcios e de o fazer subir desta terra para uma terra boa e espaçosa, para uma terra que mana leite e mel» (Ex 3,6-8).
Moisés pertence ao povo dos hebreus, que já tinha as suas tradições religiosas dos antepassados, Abraão, Isaac e Jacob; por isso Moisés já traz uma experiencia de Deus e confronta essa experiencia com a realidade da opressão do Povo e vai concluir, progressivamente, que Deus quer a libertação do seu Povo e que está comprometido em realizá-la. E aqui surge a novidade da experiência de Israel: ao contrário de todas as outras divindades dos povos vizinhos, o Deus de Israel é um Deus Libertador, um Deus que provoca mudanças na História, um Deus que vê, ouve, conhece as angústias do seu Povo e por isso não é neutro, mas desce para o libertar e o fazer subir a uma Terra Prometida. É um Deus que toma partido pelo seu Povo, que muda a História, que conhece, que actua, que intervém. As outras divindades não agiam, não actuavam, estavam ao serviço da monarquia, da natureza, das classes mais poderosas. Mas na raiz, na origem da experiencia do Antigo Testamento está um Deus que conhece, que liberta, que ama, que provoca um Êxodo, que toma partido por um povo de escravos e pastores.
um grande abraço!
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Sobre economiadasalvacao

Missionário Redentorista, a viver em V.N.Gaia ruipedro.cssr@hotmail.com
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