O Deus que procuramos…

Há descobertas que fazemos, de palavras, frases que nos ficam… Partilho convosco esta semana dois textos de um autor belga, Adolphe Gesché, de uma colecção de livros que escreveu chamada “Deus para Pensar”. Um abraço!
«Albergamos hoje a esperança de um Deus que seja verdadeiramente Deus, e de que a pretensão cristã tome parte na constituição desta esperança. Há quem queira um Deus distinto do que se pretendia antigamente, organizador do mundo, garante zeloso da moral, resposta pré-fabricada para todos os problemas; e, ao mesmo tempo, algo distinto de um Deus sentimental, “companheiro” ou “camarada” tal como hoje frequentemente se descreve e tal como se pretende também apresentar a Cristo.
Há que dizer a este propósito que actualmente se prostituiu a expressão “Amor”, o mesmo que noutro tempo se fez com a palavra omnipotência. Queremos igualmente algo distinto de um Deus que tenha feito o voto de ocupar-se de tudo, indiscreto, omnipresente, abusivo. Não acabaremos nunca de sublinhar a parte de sadismo que pode esconder-se nessa visão exagerada da solicitude divina, nessa solicitude providencial de todos e cada um dos momentos, extenuante e insuportável, que está sempre aí, sem descanso, querendo o nosso bem mas ocupando o nosso lugar.
Nós queremos outra coisa, algo que se adapte à dignidade de Deus e à nossa. Optamos por um Deus que muitas vezes sabe permanecer aparte e que, por isso mesmo, é Deus. Um Deus cuja presença seja com frequência irreal! Um Deus que nos coloca a norte de nós próprios. Um Deus veraz que pronuncia uma palavra veraz sobre nós, quer dizer, uma palavra verificante, que nos verifica, que nos faz verdadeiros. Brevemente, queremos um Deus que não seja uma divindade senão um Deus.
Um Deus que não é, antes de tudo, o remate das nossas obsessões de poder, senão convite e liberdade, persuasão mais que mandamento. Que se oferece e aceita ser recusado. Que já não é um Deus controlador (Sartre), senão da revelação. Uma nova versão do universal vertido no particular. Uma Promessa, uma Aventura. Não uma transcendência incandescente, nem tampouco uma imanência sufocante. O que procuramos é uma Transcendência na Imanência. Um Deus que vem a ser o Invisível recomendando o Visível. Um Deus tão enamorado do corpo que chega a solicitar um para si. Que transforma o indizível em manifestação aberta.
Um Deus que não aceita a presença de falsas culpabilidades e está disposto a reconciliar-se com a esperança confiada. Um Deus nos fala com inteligência e não no meio de uma selva de erros. Um Deus que seja o estímulo de um projecto e uma descoberta permanente. Um Deus que desperta em nós o nosso próprio rumor; e o do outro, ao qual nos pede que sejamos atentos
Adolphe Gesché, JesuCristo – Dios para pensar VI,
ed. Sigueme Salamanca 2002 p. 16
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Sobre economiadasalvacao

Missionário Redentorista, a viver em V.N.Gaia ruipedro.cssr@hotmail.com
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